Devo ter perdido a chave
Das gavetas de meu íntimo
Pois há muito não voa essa ave,
O que sinceramente, lastimo.
Vaga minha alma sem lume,
Assim, estranha e quase maldita,
Como se o coração batesse incólume
E da vida não provasse nenhuma desdita
Vergastou-me corpo e alma essa paixão
Tanto que impossível me foi o seu evitar
Foi intenso, foi minha chuva-de-verão.
Arrebatadora beirou o espetacular.
Mas, foi-se, como toda chuva de estação,
E deixou o frescor da alfazema em meu olhar.
Élcio
fevereiro 03, 2011
janeiro 07, 2011
Achocolatado morno
Já te disse hoje que é o meu amor?
Talvez não, apesar de haver inúmeras
Maneiras, algumas com bom humor;
Outras meio despojadas (...) quimeras.
Pode ser dito com a mesa preparada
Para o seu café; o seu achocolatado
Morno e disposto ao lado da torrada.
E olha que hoje nem é sábado!
Notou que hoje o despertador
Não gritou feito louco ao seu ouvido
Como se fosse um insano ditador?
Notou que nessa manhã nada foi olvido?
Mas, se nada disso bastar ao seu redor
Para entender que te amo: Troco de cupido.
Élcio
Talvez não, apesar de haver inúmeras
Maneiras, algumas com bom humor;
Outras meio despojadas (...) quimeras.
Pode ser dito com a mesa preparada
Para o seu café; o seu achocolatado
Morno e disposto ao lado da torrada.
E olha que hoje nem é sábado!
Notou que hoje o despertador
Não gritou feito louco ao seu ouvido
Como se fosse um insano ditador?
Notou que nessa manhã nada foi olvido?
Mas, se nada disso bastar ao seu redor
Para entender que te amo: Troco de cupido.
Élcio
dezembro 25, 2010
Paulicéia, minha paixão!
Ao mesmo tempo em que ela é sensual
É maldita, fria e a todos faz impressionar.
Conquista com seu olhar casual
Para depois, sem cerimônias, aprisionar.
Alguns ao encará-la, encantam-se
E nunca mais dali sairão; qual pedras.
Já há aqueles que ao imaginá-la benzem-se,
Outros a esconjuram, outros lêem Esdras
E dela fogem como se vissem um cascavel
Cortam caminho. Algo que por certo Medusa invejaria.
Ambígua, ela é dura, mas, ao mesmo tempo afável.
Foi e ainda o é vilipendiada por homens sem compaixão
Mas, sobrevive, pois tem raízes sacrossantas fincadas
No pátio do colégio de São Bento. Paulicéia, minha paixão.
Élcio
É maldita, fria e a todos faz impressionar.
Conquista com seu olhar casual
Para depois, sem cerimônias, aprisionar.
Alguns ao encará-la, encantam-se
E nunca mais dali sairão; qual pedras.
Já há aqueles que ao imaginá-la benzem-se,
Outros a esconjuram, outros lêem Esdras
E dela fogem como se vissem um cascavel
Cortam caminho. Algo que por certo Medusa invejaria.
Ambígua, ela é dura, mas, ao mesmo tempo afável.
Foi e ainda o é vilipendiada por homens sem compaixão
Mas, sobrevive, pois tem raízes sacrossantas fincadas
No pátio do colégio de São Bento. Paulicéia, minha paixão.
Élcio
dezembro 18, 2010
A Cantina
Nesses tempos de mercados globais
Onde balançam bolsas (de valores)
Ou de tolas madames (temporais);
O gelo é (de-gelo) e entre horrores
Tantos eu que nunca tive eira,
Fito a manequim no traje de organdi
Imóvel e silente com um sorriso de caveira
Na cara. Serei eu um projeto de dândi?
Penso eu: ao ponto de meter-me a cacique
Aristocrata ou qualquer tolo que imagina
Ser o mundo de diversões, um parque
Onde todos falam como numa cantina?
Que o diga o Protocolo de Kyoto e explique
Porque o mundo está na mira de uma carabina.
Élcio
Onde balançam bolsas (de valores)
Ou de tolas madames (temporais);
O gelo é (de-gelo) e entre horrores
Tantos eu que nunca tive eira,
Fito a manequim no traje de organdi
Imóvel e silente com um sorriso de caveira
Na cara. Serei eu um projeto de dândi?
Penso eu: ao ponto de meter-me a cacique
Aristocrata ou qualquer tolo que imagina
Ser o mundo de diversões, um parque
Onde todos falam como numa cantina?
Que o diga o Protocolo de Kyoto e explique
Porque o mundo está na mira de uma carabina.
Élcio
dezembro 09, 2010
Sertão do Demonho!
Eu cuspi na terra rachada
Do sertão que nem molhar
Molhou; não vingou molhada.
Terra dura pra ser vivente; pra olhar.
Diabo do meio do redemoinho
Saltou e dançou, dançou aluziu.
Cuspiu na minha cara. Demonho...
Cravejo-te de bala na ponta do fuzil!
Sertão é vida e morte sertão. Melindroso!
Ou ele ajuda ou é traiçoeiro predador.
Há que ter valentia ante o desastroso;
Esquecer que vida tem. Vale nada!
“O passado é ossos em redor
De ninho de coruja.” É navalhada.
Élcio
Do sertão que nem molhar
Molhou; não vingou molhada.
Terra dura pra ser vivente; pra olhar.
Diabo do meio do redemoinho
Saltou e dançou, dançou aluziu.
Cuspiu na minha cara. Demonho...
Cravejo-te de bala na ponta do fuzil!
Sertão é vida e morte sertão. Melindroso!
Ou ele ajuda ou é traiçoeiro predador.
Há que ter valentia ante o desastroso;
Esquecer que vida tem. Vale nada!
“O passado é ossos em redor
De ninho de coruja.” É navalhada.
Élcio
novembro 30, 2010
Morro morro de medo
E o morro foi tomado
Morro morro de medo
O paraíso dizem é tropical
E traz o profano aos pés
Do sagrado
Braços abertos
O Cristo é Redentor
O grito na prece
Grito de redenção
A paz forçada
Por uma Copa
Uma Olimpíada
Não fossem as duas
O morro continuaria
Morro morro de medo
Élcio
Morro morro de medo
O paraíso dizem é tropical
E traz o profano aos pés
Do sagrado
Braços abertos
O Cristo é Redentor
O grito na prece
Grito de redenção
A paz forçada
Por uma Copa
Uma Olimpíada
Não fossem as duas
O morro continuaria
Morro morro de medo
Élcio
novembro 17, 2010
Alcova
Na alcova, à meia-luz reinava
Uma cumplicidade e uma entrega
Que outrora foram tão desejadas
Quanto um dia de sexta-feira!
Era quando então, as carnes desnudas
E cheias de pecado, eram ali expostas
No silêncio dos nossos olhos famintos.
Os lábios mal se continham
E a língua retesada sofria
(No momento que a tudo antecede)
De uma agonia quase antropofágica.
...
Na alcova, à meia-luz... às sextas-feiras.
Élcio
Uma cumplicidade e uma entrega
Que outrora foram tão desejadas
Quanto um dia de sexta-feira!
Era quando então, as carnes desnudas
E cheias de pecado, eram ali expostas
No silêncio dos nossos olhos famintos.
Os lábios mal se continham
E a língua retesada sofria
(No momento que a tudo antecede)
De uma agonia quase antropofágica.
...
Na alcova, à meia-luz... às sextas-feiras.
Élcio
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