Vai menino vadio,
Pelas ruas, nuas.
Pernas desnudas e
Cabelos cacheados.
Vai menino vadio,
Que chuta a bola,
Que chuta a pedra,
Que chuta a lata,
Que chuta a vida.
Vai menino vadio,
Lança teu olhar além
E busca a quem
De muito longe vem;
Naquele trem
Que come as paralelas,
Pelas colinas a serpentear
E para ela se faz insinuar.
Vê? Ele vem a balançar,
Quase a embalar;
Pela vida a cantar,
Pela vida a voar.
O apito a apitar,
O carvão a arder,
O vapor a moldar nuvens.
Carneirinhos nos céus. Vê?!
Para traz ficaram!
E lá se foi o trem.
Vai menino vadio,
Lança essa bola,
Depressa, vai; rola!
Olha aquela pomba-rola!
Estilingue na mão,
Goma tencionada,
Nervos também.
Fez mira,
O dente cerrou,
Atirou!
Voou...
Errou...
...mas a vidraça acertou.
Corre que lá vem o grito!
VAI MENINO VADIO!
Élcio