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novembro 09, 2009

Menino vadio

Vai menino vadio,
Pelas ruas, nuas.
Pernas desnudas e
Cabelos cacheados.

Vai menino vadio,
Que chuta a bola,
Que chuta a pedra,
Que chuta a lata,
Que chuta a vida.

Vai menino vadio,
Lança teu olhar além
E busca a quem
De muito longe vem;

Naquele trem
Que come as paralelas,
Pelas colinas a serpentear
E para ela se faz insinuar.

Vê? Ele vem a balançar,
Quase a embalar;
Pela vida a cantar,
Pela vida a voar.

O apito a apitar,
O carvão a arder,
O vapor a moldar nuvens.
Carneirinhos nos céus. Vê?!
Para traz ficaram!
E lá se foi o trem.

Vai menino vadio,
Lança essa bola,
Depressa, vai; rola!

Olha aquela pomba-rola!
Estilingue na mão,
Goma tencionada,
Nervos também.

Fez mira,
O dente cerrou,
Atirou!
Voou...
Errou...

...mas a vidraça acertou.

Corre que lá vem o grito!

VAI MENINO VADIO!

Élcio