março 29, 2013

Ela chorou


Ela chorou e tudo foi tão lindo
Que o mar em seus olhos
Apequenou-se tímido, indo
E vindo a beijar os abrolhos

Abissais onde seu olhar lânguido;
Perdido ao distante buscou na bruma
Silente o véu que ao ser erguido
Mensurou um coração pela pluma

Nas mãos de Anúbis deus!
Foi quando então, o universo parou
O nada se fez todo num semideus

E o caos foi ser vivente, existindo
Na lágrima que de seus olhos rolou.
Ela chorou e tudo foi tão lindo!

Élcio

março 26, 2013

Forasteiro

Primeiro ouvi tua voz, forte, muito forte.
Lembras-te ainda daquela reunião?
Era-me tudo novo. E eu ali, sem norte;
Que chatice! Cada um, uma opinião,

Mas o tédio desfez-se quando
Deparei-me, frente a frente
Com você. E eu ali, admirando
Aquela mulher, contagiante.

Dona de um olhar tão verdadeiro
Quanto as matizes de seu mundo
Mágico. E eu ali, um forasteiro

Inebriado (a despertar de sono profundo),
De um sonho bom, porém, agora no cativeiro
Dessa mulher. E tudo aconteceu em um segundo.

Élcio

março 23, 2013

Por quem os sinos dobram?

Dobram os sinos
e estão a anunciar!

Será o rebento
Prestes a ser bento
Pelo batismo sacrossanto?

O casal de nubentes
Que também nova vida
Pretende reiniciar?

Ou ainda, o finado
Frio e rijo que agora
É ótima pessoa?


Dobram os sinos
e estão a anunciar!


Será o finado
A ser bento
Que também
Nova vida
Pretende Iniciar?

Ou ainda, o casal
Frio e rijo prestes
A ser consagrado?


Dobram os sinos
e estão a anunciar!


Talvez anunciem
O rebento que
Já no parto se fez
Frio e rijo.
Virou Finado

talvez até...

Do casal de nubentes.

Afinal: por quem os sinos dobram?

novembro 15, 2011

Poema de vida e de morte

Poemas há que são cores;
Carregados de energias
Primaveris, espargem olores
Aos quatro costados. Magias

Manifestas em tudo o que respira,
Abençoados pelo toque de Diana
Deusa. Poema onde a vida conspira
Em tom, em movimento. Parvana.

Poemas há que são pútridos;
Como a morte e dela sua estirpe.
São belos sem serem almofadados.

São em si, abençoados por Anúbis-deus
E sob a chancela de Baudelaire príncipe
Vivem! Sim, beleza também há num adeus.


Elcio

setembro 13, 2011

Ensaio do amor distante

"Aos olhos da saudade
como o mundo é pequeno"

Charles Baudelaire


Um amor quando distante,
Machuca esfola, maltrata.
É noite é desespero que
Come a carne da gente.

E quando esse amor vive em segredo
É ainda pior, pois na saudade
Mora a vontade de chorar.
Mas isso não lhe é permitido.

Então, vem uma vontade
De gritar o seu nome.
Aos quatro costados.
Mas isso não lhe é permitido.

Você é prisioneiro em seu próprio peito,
Enquanto que algoz de si mesmo.

Quando o amor existe em segredo
Dilacera as entranhas, sufoca o peito,
E este claustro fica deveras pequeno.

Na alma, a mortalha da saudade
Comprime-te, mas também isso
Tem que ser segredo e você sorri.

E tenta contentar-se quando vir
A ampulheta do tempo a girar, girar, girar.

Talvez, mas apenas talvez, teu amor
Também sofra agora. Mas, nem isso é certo.

Seu amor talvez possa estar
Mais distante do que se imagina.
Talvez tão distante que você nem mais o alcance.

Talvez teu amor tenha se cansado
De sofrer de ausência (sempre tão presente).
E tenha saído para balada. Talvez, apenas talvez,
Tenha encontrado alguém que se fez interessante.
Alguém que se fez próximo. Talvez próximo até demais.

E essa dor é lancinante
Tanto que a vontade de se matar
Já se apresenta plausível.
Talvez plausível até demais.

Dirão: é a lei da selva!
Sim. Pode ser!
Mas, um amor quando distante
Metamorfoseia-se na saudade.
Esse veneno da alma da gente
Que tem por cria o ciúme.

Ciúme que se alimenta de dúvidas
Numa antropofagia insana
E isso mata a gente quando o amor
Tem que ser distante e em segredo.

Élcio

agosto 21, 2011

Assim

Deixa eu te querer assim
Feito bicho do mato, lascivo,
Em lençol carmesim,
Ora felino, ora inofensivo.

Quiçá perca de vez o tino
A mim isso pouco importa.
Contudo, ferve meu sangue latino,
Sempre que irrompes por essa porta.

Dá-me teu corpo e não te arrependas
Mas, antes, dispa-se de todo pudor
E traze-me esse olhar puro e sem dor

Por esse teu mundo, pago prendas,
Suicido-me com bala de festim,
Mas, deixa-me te querer assim.

Élcio

julho 20, 2011

A peleja entre Cleóbulo X Capeta

Aquele fora apenas mais um jogo de cartas
Dentre os incontáveis entre o demônio
E o jagunço Cleóbulo. O cem-patas,
Pois, no risca-faca dava coice de Antonio

A Zarualdo. Naquele dia, seu jogo estava amarrado.
Só mão ruim atrás de mão ruim. Nenhum jogo prestava.
Cleóbulo quis ter sorte melhor. Estava injuriado.
Ateu, até negociaria a alma com o demo ali. Ele pensava.

Isso bastou. As cartas vieram ótimas. Mel na chupeta.
Feliz, Cleóbulo pensou: A má sorte se foi, passou.
A ficha só foi cair, quando ele reparou no sorriso do capeta.

O frio subiu por sua espinhela. Sentiu-se claudicante
E naquele domingo Cleóbulo foi à missa e até confessou.
Hoje Cleóbulo continua ateu, mas, agora não praticante.


Élcio